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A culpa é do PT?

Por Jorge Almicar e Fabio Maia


A palavra de ordem "A culpa é do PT!" vem sendo muito presente nas narrativas elaboradas ao longo dos últimos 6 anos, principalmente a partir da suspensão da então presidente Dilma Rousseff em 2015 e de seu consequente impedimento em 2016. A partir da campanha presidencialista de 2018 essa narrativa foi totalmente incorporada pela extrema-direita brasileira representada pelo então candidato e agora presidente Jair Bolsonaro, narrativa que se acoplada ao já desbotado discurso do mal maior e da ameaça comunista, numa espécie de marcartismo tupiniquim, colocando o Partido dos Trabalhadores no epicentro dos ataques, reforçando assim a narrativa em questão.


Mas dessa vez penso que a palavra de ordem "A culpa é do PT!" faz algum sentido. Por dois motivos centrais que reverberam em alguns outros secundários: 1. A figura de "ser incorruptível" de Moro está diretamente ligada à sua atuação como Juiz da "Operação Lava-jato", atuação essa no mínimo controversa se considerarmos que a imparcialidade nunca esteve em jogo, fato amplamente denunciado pelo conjunto de reportagens do The Intercept Brasil, apelidado de "Vaza-jato", que para a ala dura do governo e de seus apoiadores mais fiéis era uma marca de qualidade "antipetista" e que, na linha maquiavélica dos fins justificarem os meios, garantiram seu posto no governo e sua imagem intocada frente aos bolsonaristas; 2. Foi nos governos do PT que a autonomia e a liberdade de ação da Polícia Federal tornaram-se de fato prática comum, como afirmou o próprio ex-Ministro Sérgio Moro em seu pedido público de demissão,  esse fato fica evidente em dois grandes processos que resultaram em investigações e prisões no âmbito do próprio governo federal durante os governos do PT, foram elas o "Mensalão" durante o Governo Lula e o caso investigado pela "Lava-jato", que mesmo com todas as evidências de uso político da operação, nunca sofreram interferência dos Governos.

Desde  2003, quando o PT  assumiu o poder, todos  os procuradores  gerais da República  nomeados estavam na lista tríplice, lista com os três mais votados entre os procuradores da República. Desta maneira respeitando  a independência  do órgão.  Jair Bolsonaro enterra essa prática genuinamente republicana ao nomear o procurador Augusto Aras, o nomeado pelo atual presidente  ficou apenas em sétimo lugar  na votação.  Justamente para ter um procurador que engavetasse qualquer ação  contra o mesmo. Assim, ao quebrar  a tradição  da lista  tríplice, agia com o objetivo de ter um procurador geral a serviço  do presidente  e não  do país.  


Outra ação  do presidente  para aparelhar as instituições  republicanas  foi a tentativa de "clonar" a Agência Brasileira de Inteligência e colocar o "clone" a seu serviço.  Carlos Bolsoanro  tentou emplacar a criação de uma Abin paralela para espionar os adversários  políticos.  Ou seja, um órgão  de espionagem de Estado a serviço  de uma família.  Nem os bolsonaristas  mais aloprados  toparam  a aventura da Abin do Bolsonaro.  


Assim como no atual governo, o governo Temer também empreendeu ações nesse sentido, antes dos Governos do PT, também não é  difícil encontrar casos de interferência direta ou indireta da presidência da República no Ministério Público  e na Polícia Federal. Mesmo se considerarmos apenas o período pós-redemocratização.

Então caros bolsonaristas, gritem em alto e bom som:  "A culpa é do PT!", dessa vez vocês terão alguma razão.





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