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Editorial Eleições 2020: A vida acontece no município, mas é determinada pela política nacional.

Como o Opção Popular vai abordar as eleições municipais 2020


Este ano ocorrerão eleições municipais dentro de um contexto inédito: uma pandemia que já adiou a data inicial do pleito, tempo de campanha reduzido, candidatos teoricamente proibidos de causar aglomerações como as de costume. Os famosos pasteis de feira ficarão órfãos dos candidatos que aparecem na feira de 4 em 4 anos.


Devemos refletir como as nossas cidades são construídas e destruídas de acordo com a dinâmica de poder local, mas é fundamental entendermos como essas dinâmicas são determinadas pelas relações de poder em nível nacional e até mesmo internacional.


As eleições municipais são um bom momento para vivenciar a política, mas ao mesmo tempo são uma armadilha para nosso fazer político, uma vez que o debate público é tomado pela lógica da zeladoria, e somos tragados pelos problemas localizados: “ minha rua, meu bairro, minha escola municipal, meu posto de saúde, meu transporte público” e não debatemos políticas mais amplas, como moradia popular, fomento e organização de cadeias produtoras de alimentos saudáveis para a população, planos para medicina preventiva, planos para uma educação emancipadora, sem falar na questão ambiental... e esses são apenas alguns exemplos.




Para vislumbrar horizontes mais amplos na nossa política local não podemos deixar de fazer o debate estrutural da sociedade, bem como não podemos deixar de atrelar o debate das políticas econômicas implementadas pelo governo federal.


A crise de arrecadação que se abateu durante a pandemia não pode ser utilizada de forma utilitarista por aqueles que defendem a redução do estado para equalizar as contas públicas. Devemos lembrar que os municípios brasileiros estão em crise financeira muito acentuada desde antes da pandemia, muitos deles sobrevivendo através dos fundos de amparo aos municípios dos governos estaduais e do governo federal.


A temática econômica será aborda sempre pelo viés da redução do investimento público, da precarização dos direitos dos trabalhadores como mola propulsora da economia empresarial e da condição de refém que a administração se coloca frente aos ditames das noções da economia dominante.


Não veremos serem debatidos os motivos da situação financeira precária, a escalada da financeirização da economia e da captura do orçamento público pelo sistema financeiro e pelo rentismo. As amarras da lei de responsabilidade fiscal que limita todo e qualquer gasto público, exceto os vastos e ilimitados recursos destinados à remunerar o capital financeiro, os serviços de rolagem da dívida pública e a garantia de renda a fração rentista que domina a nossa economia e consequentemente a política nacional e local.


Nesse sentido, propomos abrir debate na sociedade para que ao menos algumas dessas questões sejam objeto de reflexão nesse momento eleitoral, e vamos publicar uma série de artigos sobre os temas relacionados à vida nos municípios, mas sempre pautando as questões com uma abordagem crítica e deixando claro que apesar da vida acontecer no município, ela é determinada por uma estrutura nacional, e que sem alterarmos essa estrutura, não superaremos os problemas básicos da nossa população.


Contamos com sua leitura, e bom debate para todos nós!

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