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Ficar puto com a fala do Guedes é privilégio

Atualizado: Mar 4

Paulo Guedes não esconde quem ele é. E você? Sabe quem você é? Nesse artigo o professor Jorge Almicar de Castro* debate a recente fala do Ministro Paulo Guedes, e suas interpretações para a classe trabalhadora. Entender sua posição no mundo do trabalho é um privilégio, sendo o primeiro passo para a transformação da sociedade.




A fala de Guedes não surpreende ninguém que tem o mínimo de conhecimento sobre a política econômica liberal. Não surpreende quem conhece o que pensa esse governo sobre os pobres, sobre os trabalhadores e sobre os aeroportos como lugar de privilégio da elite. A declaração do ministro da economia só confirmou o que já sabíamos, lugar de pobre é na rodoviária.


O doutor em economia declarou a respeito do dólar baixo “ Todo mundo indo para Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada”. Ele referia se aos anos passados, quando uma parcela classe C e D invadiram os aeroportos viajando para tudo quanto é lugar.


Favorecidos pelo dólar baixo, desemprego abaixo dos 6% e uma boa margem de crédito. A classe C não usava black tie, mas viajava para Miami e trazia Ipod , Vitória Secret e perfume para revender pra família. Selfie no avião para mandar para as tias e para os afilhados.


Nesse período os filhos abastados da pátria reclamavam que o aeroporto parecia mais uma rodoviária. Diziam impropérios, porque tinham gente de havaiana no aeroplano. E odiavam aquela Van da CVC desembarcando porteiros, professores, enfermeiras e toda sorte de gente na praia de Maragogi, o qual até então a elite acreditava ser dona do balneário. A menina no protesto em favor do impeachment da Dilma, com o cartaz “Quero ir de novo para Disney”, hoje deve amargar férias insossas em Bertioga.


Contudo, quem é trabalhador e ficou ofendido com a fala de Guedes é privilegiado. Pois, tem gente assalariada que acredita que o discurso não foi para eles. Refiro-me aquelas pessoas que ganham entre 3 mil até 6 mil reais; com ensino superior que fazem uma viagem internacional a cada 4 anos e parcelam a passagem em 6x. Essas pessoas fizeram a primeira viagem pro exterior nesse milênio. Acreditam que pertencem à classe de cima e, portanto não são os pobres que frequentavam os aeroportos os quais Guedes se vangloria de não irem mais pra Disney. Desculpa, mas o Guedes está falando de você. Não existe para elite diferença entre a empregada doméstica e pobre que ganha um pouco a mais, é tudo a mesma coisa.


O pior cego é aquele que não quer enxergar. Se você ficou puto com a fala do Guedes, você é um privilegiado, sim.



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