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Gorbatchov e a “PeTestroika”

Atualizado: Out 21

O último líder soviético confessou, numa palestra na Turquia, que dedicou sua vida a aniquilar o comunismo, o que também se comprova com documentos recentemente desclassificados da CIA do qual constam a atuação do magnata George Soros na destruição da URSS

* Por Lucas Chianello

Após assistir A Rede Social e ler Sociedade do Controle, Manipulação e Modulação nas Redes Sociais, decidi deletar boa parte dos meus perfis eletrônicos. Do que restou, quase não acesso.

Mantive, porém, dois contatos de pessoas que viveram na época da União Soviética. Conversei com um desses contatos sobre a série Chernobyl, da HBO, que num trecho de suas palavras me escreveu que para ele o fim da URSS não foi a queda de um regime ou de um país, mas o fim de uma civilização. Na série é mostrado que Mikhail Gorbatchov, último presidente do primeiro país socialista da história, atribui peso decisivo à explosão da usina nuclear de Chernobyl como motivo do colapso soviético. Porém, a grande verdade é que o grande peso para o fim da URSS foi a atuação política do próprio Mikhail Gorbatchov.



Numa notícia que chegou um ano atrasada ao Brasil, em 16/09 último, na Carta Maior, o último líder soviético confessou, numa palestra na Turquia, que dedicou sua vida a aniquilar o comunismo, o que também se comprova com documentos recentemente desclassificados da CIA do qual constam a atuação do magnata George Soros na destruição da URSS. Uma notícia que se fosse encarada pela esquerda com a mínima seriedade e notoriedade, nos faria, no mínimo, parar o que estamos fazendo para promover um debate sobre a fala proferida. Ao visitar Fidel Castro em 1988, Gorbatchov foi recebido com as maiores honrarias possíveis de um chefe de Estado. Porém, ao insistir em convencer Fidel da aplicação da glasnost (abertura) e da perestroika (reforma), Gorbatchov deixou Cuba com cerimônias minimamente protocolares.


Logo depois, Fidel alertou o povo cubano sobre as dificuldades que viriam posteriormente. Falsas concepções sobre o que era a URSS levam boa parte da esquerda brasileira a repetir o discurso da direita sobre o fim da experiência: inoperância estatal, burocratismo exacerbado, corrupção partidária, ausência de democracia, linha dura e vigilância militar, semelhança com a opressão capitalista, etc. Porém, quando foi que setores da esquerda brasileira fizeram uma avaliação minimamente honesta sobre a contribuição de Gorbatchov para o fim da URSS? Em notórias declarações à imprensa golpista, Fernando Haddad, inconfundível social-democrata infelizmente derrotado nas últimas eleições, justificou que não sabia o que a presidenta do PT Gleisi Hoffmann faria na posse de Nicolás Maduro, pois o PT também nasceu das críticas às experiências autoritárias de esquerda. Quando foi que Haddad, por exemplo, atribuiu a mínima responsabilidade dos EUA sobre as manobras econômicas contra a Venezuela e o financiamento de uma oposição sádica e violenta liderada pelos poderosos de sempre do país?



Logo após sair da prisão, a primeira entrevista ao vivo de Lula foi para o Nocaute, do Fernando Morais, também nas presenças de Aline Piva e Ana Roxo. Num trecho da entrevista, Lula deu graças a Deus pelo fim da URSS, pois com isso a esquerda poderia atuar dentro de novas perspectivas. 30 anos depois, ontem, na história, o que Lula, Haddad e boa parte dos fundadores do PT diriam sobre a declaração pública e notória de Gorbatchov? Em qual âmbito da vida humana (ciência, tecnologia, educação, forças armadas, saúde, segurança, esportes, etc) se tem um indicativo que de fato houve uma melhora na vida do cidadão do leste europeu após a queda do Muro do Berlim e o desmantelamento soviético?


Para construirmos o socialismo do século XXI precisamos entender como se iniciou, aconteceu e terminaram as experiências socialistas do século XX. Para que se tenha uma avaliação honesta dos fatos, poderíamos iniciar 2020, por exemplo, questionando como a estrutura de poder soviético permitiu a imersão de lideranças notoriamente traidoras como Gorbatchov, que para entrar para a história como último presidente soviético, dissolveu o país mesmo após o SIM à URSS ter vencido um referendo com 77,8% dos votos em março de 1991. Um feliz 2020 a todas e a todos que, nas palavras de Olga Benário, lutam “pelo bom, pelo justo e pelo melhor do mundo.”




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