• Opção Popular

Identidade e Neoliberalismo, insustentável coexistência.

* Por Isabela Alves

A identidade política está associada a sentidos e projetos de vida que o indivíduo assume para si (Dantas e Ciampa 2014). Sem um projeto próprio, sem a superação de algumas limitações sistêmicas, sem a consciência dos poderes heterônomos, o individuo fica vulnerável as políticas de identidade dominadoras, não vive os processos de identidade metamorfose e fica preso a papeis e personagens que o aprisionam a viver uma falsa autonomia, a criar falsos projetos, que nada mais são do que as imposições sistêmicas de manutenção de um status quo.


O problema é o mecanismo do capitalismo, que agora assume sua forma mais “radical”, o neoliberalismo. Como nos produzimos seres autônomos e livres já que somos inseridos no capitalismo? Vulneráveis as garras neoliberais?




A questão das identidades políticas pode sanar alguns problemas em relação a consciência que se tem sobre as imposições sociais, pode tirar o individuo da posição de alienado, porém seria ela capaz de construir a unidade ? Seria ela capaz de construir laços mais solidários entre os seres humanos?


Eu não pretendo escrever um artigo com respostas, mas com indagações, que nos possibilite refletir sobre nossos comportamentos. A identidade emancipatória de Ciampa, autor o qual tenho profunda conexão de ideias, passa não somente pela capacidade do pensamento autônomo, mas pela solidariedade, coletividade e respeito.


Um horizonte de mudanças necessita de identidades emancipadas, mas também de superação do individualismo, da competição, e da meritocracia. Depois das profundas desigualdades sociais, essas são as outras cicatrizes que o capitalismo nos deixa, cicatrizes essas que não apenas a consciência política ameniza, mas também uma real mudança de princípios e valores, os quais passam pela empatia com o outro.


Precisamos de espaço de diálogos onde genuinamente estamos presentes para ouvir o outro, tentar compreender a sua visão de mundo. É necessário dar liberdade e promover um ambiente onde todos consigam produzir sua identidade de maneira libertadora, só assim resgataremos a sensação de pertencimento e acolhimento, tão necessária a nossa fragilizada esquerda.


Não podemos dentro de nossos movimentos repetir os ideais autoritários e absolutos de nossa oposição. Só é possível a reinvenção da esquerda a partir de um projeto novo (isso é óbvio), porém esse projeto novo precisa ser suficientemente coletivo, no sentido de abarcar todas as vozes, e para isso é necessário que sejamos empáticos a todas as lutas, respeitando todas as reivindicações.



35 visualizações

Receba nossas atualizações

  • Branca Ícone Instagram
  • Ícone do Twitter Branco

© 2020 Opção Popular