Se alguém respira aliviado com a transição na Casa Branca, é mais prudente voltar a prender o ar (2)

Na segunda parte deste artigo, o historiador *Gustavo Costa e Silva faz um prognóstico acerca do Governo Biden. Em meio à justificada euforia pela derrota de Donald Trump, chama atenção para a natureza do governo Biden, para além da propaganda que tenta construí-lo como um símbolo da civilização. “Se alguém respirou aliviado com a transição na Casa Branca, o mais prudente a se fazer é voltar a prender o ar”: a máquina de guerra imperialista americana segue a todo vapor.


Biden ordena bombardeio à Síria 1 mês após posse.

Desde as eleições no último novembro que deram vitória aos democratas Joe Biden e Kamala Harris, Donald Trump tem sido visto no campo liberal-progressista como uma espécie de persona non grata da “civilização americana”. Com uma eleição com recordes de participação, o resultado mobilizou Trump e parte considerável do Partido Republicano a tentar reverter a derrota com a judicialização do processo e incitação de milícias civis, o que fomenta a narrativa de que sua derrota representa uma ameaça que finalmente se dissipa.


É verdade que essa transição na Casa Branca se refere em grande medida a um plebiscito contra Trump e não um voto de confiança em Biden, muito embora a base do republicano tenha se fortalecido e seu eleitorado crescido em comparação a 2016. Como mencionei na primeira parte deste texto, o quadriênio trumpista tem sido e continuará sendo fortemente apresentado como o momento de adoecimento dos EUA, o que fornece boa vantagem ao novo presidente e funcionará como uma válvula de escape para que o núcleo guerrista possa retomar de onde parou, mas agora com um revigorado ar de “recomeço”. O pesadelo americano terminou e a democracia voltará aos eixos. Todavia, a ameaça que se dissipa nos EUA com a derrota de Trump parece se mover como uma nuvem em direção a outros continentes a partir de Biden.


Uma grande civilização para acabar com todas as civilizações


Denunciar Trump como o primeiro pecador do “sonho americano” ao descarregar em seu governo os males que levaram a uma nação claudicada, tem sido tão facilmente articulado que no debate presidencial transmitido pela CNN no dia 22 de outubro, Biden desafiou os limites da memória da nação ao questionar como ultrajante a política migratória de Trump que separou famílias e literalmente enjaulou crianças em galpões frios e escuros. Coro acompanhado pela mídia corporativa. Acontece que Biden não escapa e esse mesmo ultraje; foi vice-presidente de Obama durante o governo que mais deportou famílias em toda a história dos EUA, a mesma administração responsável por criar as jaulas que, emocionado, condenou em rede nacional.


Convenhamos, Biden e Harris possuem uma assessoria habilidosa. Suas imagens e discursos foram afiados para se contrapor ao estupor grotesco de Trump. Mais do que isso, tiveram suas condutas recentes planejadas para desvinculá-los de seu próprio passado. Foi isso, afinal, que transformou uma eleição entre dois homens brancos, conservadores, racistas, sionistas, bilionários e acusados de assédio sexual e estupro numa eleição entre o polido e o tosco, o respeitável e o desprezível – uma versão endógena e nacional da “civilização e barbárie”.


Para afiarmos também a crítica, urge abandonar as lentes míopes do “Eu não sou o Trump”. Isso cria uma falsa contrapartida, uma posição enganosa. Quando Trump atacou o Black Lives Matter e os protestos que tomaram o país pelo assassinato de George Floyd, Biden apareceu discursando em seu funeral lamentando o racismo que “infesta a vida americana”. Mas não é verdade que a Lei Anticrime de 1994 que inaugurou uma nova era de segregação racial, promovendo o encarceramento em massa do povo negro, teve Biden como um de seus mais orgulhosos pais fundadores? Ele também se orgulha e destaca as origens de sua companheira de chapa, a primeira mulher negra a se tornar vice-presidente dos EUA, de ascendência latino-americana e indiana. Furor do marketing identitário minuciosamente preparado às audiências liberais do campo progressista – ah! Ela também dança.


Mas as origens da atuação política de Harris demonstram uma atitude que nada lembra a figura que hoje discursa em púlpitos reduzindo o confronto a formulas esvaziadas de representatividade. Como procuradora do estado da Califórnia, contribuiu diretamente para o encarceramento em massa da população negra e ficou conhecida pela postura linha-dura quanto à detenção de imigrantes ilegais. Foi também duramente criticada por enviar mulheres transexuais para presídios masculinos.


É verdade que no âmbito das políticas domésticas diferenças pontuais entre Trump e Biden são perceptíveis. Este último deverá lidar melhor com a pandemia do coronavírus do que seu antecessor, cuja postura negacionista e programas de contenção insuficientes já causaram a morte de quase 400 mil pessoas no país. Campanhas de conscientização e testagem devem acontecer nos próximos meses, além da normalização das relações com a OMS. A diferença mais notável se dará num discurso mais consequente, embora não ideal. Também insistirá na preservação do Obamacare, que já atende a 20 milhões de estadunidenses de baixa renda – o programa é um dos principais alvos do Partido Republicano. O aumento do salário mínimo, estagnado em US$1256,7 desde 2010, também tem sido pautado e pode acontecer no primeiro ano do mandato.


Contudo, é emblemático que a nação que exerce ingerência perene nos assuntos do mundo todo tenha conseguido fugir justamente ao tema da política externa na disputa eleitoral, recebendo quase nenhuma cobertura interna. O debate do dia 22 de outubro teve início com acusações mútuas de financiamento de governos estrangeiros: Trump acusou Biden de ser o candidato que recebeu dinheiro da China, Biden acusou Trump de ser o candidato que recebeu dinheiro da Rússia. Por um momento a lógica chegou a se inverter. Ambas as acusações infundadas que só desviam a atenção do fato de que no plano bipartidário dos EUA a política externa é o ponto onde duas linhas transversais se cruzam.


Em que pese o fato de Trump não ter iniciado nenhuma guerra, sua política externa continuou bastante ambivalente e beligerante. O novo governo terá que lidar com a herança de Trump em relação ao Irã. Retirando-se do tratado nuclear de 2015, Trump escalou o conflito à proporção de assassinatos que implicam os EUA em sérias violações à autodeterminação do Irã e Iraque, e deterioram a preponderância dos EUA na região. A pandemia tem sido ostensivamente utilizada como arma biológica contra o Irã, impedido de receber insumos e ajuda humanitária. Sobre essa última questão, as coisas não devem mudar.


Contrariando uma de suas principais promessas de campanha, não encerrou as chamadas “guerras eternas”, mantendo a ocupação do Afeganistão que se arrasta agora por duas décadas, já tendo custado a vida de mais de 4 mil soldados dos EUA e mais de 40 mil civis afegãos, além de um país arrasado e assolado diariamente pelo terrorismo. Quando em 2019 o Washington Post publicou um artigo revelador [1] demonstrando como o governo dos EUA mentiu desde o início ao afirmar que o status da ocupação apresentava cada vez mais sucessos em direção à vitória ao passo que o exato oposto ocorria – os Afghanistan Papers comprovavam que a guerra era um beco sem saída desde o início, sem possibilidade de vitória reconhecida e já tendo acumulado despesas da ordem de 1 trilhão de dólares -, as únicas repercussões mais sérias ocorreram apenas fora do país. O escândalo foi ofuscado uma vez que implicava governos republicanos e democratas. Biden é oficialmente o quarto presidente que agora continua a ocupação.


Removendo restrições que impediam operações com drones em regiões de baixa prioridade, o número de civis mortos por drones no Afeganistão aumentou 330% sob Trump, causando a morte de 700 civis somente em 2019. Nos céus do Iêmen os drones também triplicaram, assassinando pelo menos 86 civis em 2020 [2]. Não é de se estranhar que Biden tenha se calado a esse respeito. É difícil encontrar uma camarilha como o novo gabinete de Biden-Harris, a crème de la crème dos campões do imperialismo e violações de direitos humanos. É bastante simbólico que o famoso ex-secretário de Estado Henry Kissinger, certamente um dos maiores criminosos de guerra ainda vivos – dentre outras atuações, responsável direto pela intensificação da guerra no Vietnã, pelo genocídio no Timor Leste e o golpe de Estado no Chile que levou ao poder Augusto Pinochet, a quem Kissinger se orgulhava de chamar seu “protegido” – tenha declarado sua preferência por Biden. Ao contrário de Trump, que tumultuava as redes sociais com declarações debochadas e coléricas sobre as intervenções externas dos EUA, a chapa Biden-Harris foi uma escolha preparada e capaz de assumir discursos de fachada progressista e plural, mas poderosos. Os que ainda não o fizeram terão que se decidir: ouvirão com entusiasmo as palavras do novo presidente e seu gabinete ou ouvirão indignados o lamento dos povos sob jugo imperialista?


A nova cara do Império: quem é quem no governo Biden?


Quanto Trump escolheu pra chefiar o Pentágono um general ainda na ativa, o que viola um pacto de que militares ainda em exercício não podem ocupar cargos no executivo, democratas e progressistas criticaram duramente a militarização e os flertes autoritários do governo. Dessa vez, Biden colocou no cargo Lloyd J. Austin, general quatro estrelas também em exercício – o primeiro homem negro no cargo. Veterano do alto-escalão do Iraque, Austin faz parte da diretoria da Raytheon Technologies, uma das maiores produtoras de aparatos de defesa militar do mundo. Isso quero dizer literalmente que alguém que lucra com guerras vai comandar o departamento cuja função é precisamente fazer guerras. O melhor exemplo de como funciona o lobby do complexo industrial militar.


Para Diretora Nacional de Inteligência, foi escolhida Avril Haines, arquiteta do letal programa de drones da administração Obama. Primeira mulher a assumir essa posição, Haines foi cúmplice em programas de tortura da CIA durante o governo Bush, tendo ajudado a encobrir investigações abertas pelo Senado sobre escândalos que envolvem sua cobertura na destruição de evidências de casos envolvendo tortura.


Samantha Power irá comandar a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), órgão de assistência humanitária que opera como braço do Departamento de Estado, tendo sido recentemente responsável pelo financiamento da oposição na Venezuela e Nicarágua. Power critica a política externa de Washington por abster-se de não intervir em mais países, alegando que os EUA possuem o dever de proteger os fracos. Como embaixadora, rebateu críticas feitas aos bombardeios da Arábia Saudita no Iêmen, acusando os houthis, grupo de resistência armada predominantemente xiita que se opõe ao atual regime apoiado pelos sauditas, de serem os verdadeiros responsáveis pela crise humanitária que se alastra no país. Recentemente, a ONU tem insistido que se os EUA não reverterem a decisão de Trump de classificar os houthis como um grupo terrorista o Iêmen irá afundar numa fome de proporções ainda mais catastróficas. Apoiadora empolgada da intervenção na Líbia e Síria, Power também considera que o regime sionista de Israel tem sido injustamente acusado pela ONU por simplesmente se defender de ataques terroristas árabes.


O antigo assessor pessoal de Biden, Jake Sullivan, será o Conselheiro de Segurança Nacional. Visto com simpatia pelo alto-escalão democrata, destacou-se por sua ascensão na alta política e por conformar as diretrizes da política de Hillary Clinton como Secretária de Estado. Ao Foreign Policy [3] reforçou que suas prioridades serão lidar com a pandemia e a China, a quem Sullivan atribui a tentativa de “dominação mundial”. Recentemente no Twitter, condenou a prisão da ativista pelos direitos das mulheres, Loujain Al-Hathloul na Arábia Saudita, afirmando que a “administração Biden-Harris contestará violações de direitos humanos, onde quer que ocorram”. É interessante balizar sua percepção sobre o tema com as mensagens de e-mails vazados pelo Wikileaks, em que Sullivan aparece reportando a Clinton a situação inicial da intervenção dos EUA na Síria no dia 12 de fevereiro de 2012: “A Al-Qaeda está do nosso lado na Síria. No geral, as coisas ocorreram como esperado” [4]. Ao que parece, os degoladores da Al-Qaeda são valentes combatentes em prol dos direitos humanos.


Outro assessor de Biden assumirá como Secretário de Estado, Anthony Blinken, excepcionalista veterano ligado a empresas de armas e petróleo, fez pressão para escalar praticamente todas as intervenções dos EUA desde a invasão do Iraque até o golpe neonazista na Ucrânia em 2014, o Euromaidan, a quem Blinken vê com bons olhos por afastar o país da Rússia. Arquiteto das sanções sobre o governo Putin, pressionou Trump a manter e aumentar o fluxo de armamentos enviados às milícias paramilitares fascistas ucranianas.


Para embaixadora na ONU, Linda Thomas-Greenfield foi a escolha. Apoiadora do projeto neocolonial de Bush para a África conhecido como Millennium Challenge Account, foi responsável pela operação de drones na Somália durante a era Obama, organizou a expansão do aparato militar na África subsaariana que jogou a região numa guerra obscura [5]. Não é um exagero retórico afirmar que um dos requisitos para a composição do gabinete era ter participado da destruição de ao menos um país. É de espantar, no entanto, que o verniz do identitarismo consiga chamar mais a atenção para os rostos do que para os históricos manchados de sangue.


Nos próximos anos, políticas neoliberais imbuídas de subalternidade serão encobertas por um forte discurso em defesa da multilateralidade, da reabilitação do diálogo. Os EUA voltarão a compor blocos econômicos e tratados fragilizados na administração anterior. Relações entre aliados serão normalizadas. Quanto aos inimigos, estes já sabem que o são, e lidarão com um governo em condições mais estáveis, melhor preparado e mais coerente. A partir de operações humanitárias, denúncias de violações aos “direitos humanos” receberão novo fôlego nos noticiários, explorando desse modo oportunidades para escalar conflitos locais em torno do coração eurasiano.


É provável que o novo governo ensaie de forma cautelosa e pouco disposta uma renegociação do acordo nuclear com o Irã, que irá exigir mais concessões do governo iraniano (cujas eleições, vale lembrar, acontecem esse ano e podem eleger uma oposição ainda mais forte aos EUA). A alta cúpula democrata costuma ser lembrada pela forte posição anti-Rússia, e isso se manterá com um apelo típico da Guerra Fria. Nas atuais circunstâncias, todavia, os maiores esforços devem ser reservados à China, cuja aproximação no continente latino-americano preocupa o novo gabinete – nunca houve, afinal, uma renúncia à Doutrina Monroe.


Não existe expectativa de recuo nos estrangulamentos econômicos; sanções e submissão a instituições financeiras serão a ordem do dia conforme o receituário das últimas décadas. O futuro da relação com Cuba, com quem Obama estabeleceu diálogo histórico movido pela pretensão de facilitar a penetração do capitalismo na ilha, foi expresso prontamente por Harris: “o embargo é a lei”. Vale lembrar que Biden acusou Trump de ter sido “mole demais” com a Venezuela, mesmo após aumento das sanções e tentativas de assassinato de Nicolás Maduro. Nesse sentido, é arriscado pensar que Biden planeja uma abordagem diferente da atual para a América Latina. O discurso, certamente, será outro. O discurso, a propósito, será uma grande arma no novo governo.


Depois de um período oscilante entre relativo isolacionismo e intervencionismo impiedoso, Trump deixa marcas que não desaparecerão simplesmente: trouxe uma unidade considerável ao Partido Republicano, reunida em torno de sua própria imagem, e consolidou uma base sólida pautada num forte nacionalismo antiliberal que continuará se alimentando de conspirações obscuras, e que não demonstrou inteiramente até onde está disposta a ser mobilizada. Um novo gabinete coeso e beligerante terá que lidar com essas heranças ao mesmo tempo que continuará persistindo na conflagração da dominação imperial. Trump é uma caricatura do Império. Biden, sua encarnação.


Se alguém respirou aliviado com a transição na Casa Branca, o mais prudente a se fazer é voltar a prender o ar. No fim das contas, pode até significar uma vantagem a longo prazo ter reassumido o controle do Império a essa altura, fazendo de 2017 o ano em que xenofobia, o racismo e a intolerância descobriram a América. Trump (mas não o trumpismo) começa agora a ser defenestrado da “civilização”. Será considerado uma doença incômoda, e não um sintoma de um todo em declínio. A pergunta é: quem é capaz de definir o padrão civilizatório? Diz-se que Trump incita a violência. É verdade. O mesmo também não vale para jornais e políticos que incitam a violência levada por drones que dizimam nações, culturas, futuros e povos inteiros? Diz-se que Trump é um supremacista xenófobo inadmissível que prega o ódio. É verdade. E quem admite “rebeldes moderados” pagos com dólares que exterminam minorias? Diz-se que o fascismo em gestação nas ruas de Charlottesville é aterrorizante. É verdade. Mas é menos aterrorizante o fascismo que marcha sobre Kiev? Não posso deixar de pensar em como essa transição histórica faz eco a elementos da situação mundial de mais de um século atrás: as barbáries do neocolonialismo que infligiam morte e destruição só arrancaram lágrimas e estupor dos arautos do progresso quando essa mesma morte e destruição chegou à Europa. Só então o alerta de que a civilização estava ameaçada foi dado.


Segundo estudo encabeçado pela Watson Institute da Universidade de Brown [6], desde o início do século XXI os EUA já gastaram aproximadamente 6 trilhões de dólares em guerras. De acordo também com estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), esse valor é muito mais alto do que o necessário para erradicar a fome em todo o mundo. Eis os números que decodificam a democracia ocidental. Não se trata de conservadores e liberais. Se trata de imperialismo, que liga o discurso multilateralista do sofisticado Obama e os apelos falhos ao fim das guerras do estúpido Trump. Quando a Primeira Guerra Mundial foi deflagrada, os apoiadores do conflito, também à esquerda, defendiam “uma grande guerra para acabar com todas as guerras”. Hoje, os que buscam preservar a democracia ocidental liderada pelo Império Americano parecem defender uma grande civilização que acabará com todas as civilizações.


*Gustavo Costa e Silva é professor de História na rede estadual de Minas Gerais. Estuda o socialismo soviético e a política externa dos EUA.


[1] At war with the truth: https://www.washingtonpost.com/graphics/2019/investigations/afghanistan-papers/afghanistan-war-confidential-documents/

[2] Trump's air strikes in Afghanistan dramatically increased civilian deaths: Report: https://www.middleeasteye.net/news/trump-afghanistan-middle-east-strikes-civilian-deaths

[3] China has two paths to global domination: https://foreignpolicy.com/2020/05/22/china-superpower-two-paths-global-domination-cold-war/

[4] https://wikileaks.org/clinton-emails/emailid/23225

[5] Biden’s Scary Foreign Policy Picks: A Blast From War Crimes Past: https://theanalysis.news/commentary/bidens-scary-foreign-policy-picks-a-blast-from-war-crimes-past-abby-martin/

[6] https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/em-20-anos-guerras-custaram-us-6-tri-aos-eua-quantia-poderia-eliminar-fome-ou-reverter-aquecimento/index.htm#cover


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