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Uma reflexão acerca das enchentes em Poço Fundo-MG

Atualizado: Jul 20

Por Pedro Otávio Carvalho Fernandes


“Não há outro mundo. Há simplesmente outra forma de viver.”

(Jacques Mesrine apud Comitê Invisível).




Nesse texto pretendemos refletir sobre a incidência de uma tragédia na cidade de Poço Fundo, em Minas Gerais, no início do ano de 2020. Iniciaremos, portanto, com um breve resgate acerca do acontecimento no interior mineiro para, em seguida, situa-lo num contexto global de intensificações de transformações na natureza, evidentes, principalmente, pelas mudanças climáticas. Posteriormente será necessário refletir sobre as formas de organização das populações atingidas pela tragédia, assim como pela mobilização geral em prol da recuperação desses/as indivíduos e indicar “horizontes de expectativas” que podem ser pensados para romper com a lógica de organização disseminada pelas sociedades que estamos inseridos/as[2].


No inicio de 2020, uma serie de chuvas provocaram um grande estrago em algumas cidades e famílias no sul de Minas Gerais. Poço fundo foi uma das cidades atingidas. De acordo com o jornal Estado de Minas Gerais, as chuvas aconteceram na noite de segunda-feira (10/02/2020) para a madrugada de terça-feira (11/02/2020). Elas chegaram a invadir 300 casas, atingindo mais de 1.200 pessoas, 7% do total da população da cidade, que contabiliza um total de 15.959 pessoas. No entanto, de acordo com o jornal as áreas territoriais mais atingidas foram as pertencentes a zona rural, que tiveram estradas danificadas e, principalmente, as pontes de conexão com a cidade rompidas. A distribuição de água também passou a ser um problema quando os sistemas de cooptação de água da COPASA foram atingidos pelas fortes correntezas dos rios, danificando assim, a transmissão de água para a maioria população[3].


Posto isso, é importante buscar compreender a eclosão dessa tragédia como parte de uma mudança global, acreditamos que esse acontecimento faça parte de um contexto mais amplo. Para o "Comitê Invisível" (2014), é possível afirmar que, pelo menos desde o final da segunda metade do século XX, já temos conhecimento de uma crise ecológica causada pela atividade humana e que vem esgotando os recursos naturais cada vez mais. Esse esgotamento de recursos está diretamente vinculado ao modo como a espécie humana se coloca em um patamar elevado em relação às outras espécies e a natureza como um todo. Não atoa, alguns/mas intelectuais vêm caracterizando esse período como “antropoceno”, por exemplo. Essas nomenclaturas evidenciam que a espécie humana passou a intervir, explorar e produzir de forma desenfreada e que conseguiu modificar o ritmo das transformações da natureza[4]. Essa postura, inevitavelmente, gerou e gera uma série de reações que podemos evidenciar por uma série de catástrofes naturais. Tsunamis, furacões, derretimento das calotas polares, extinção de várias espécies animais e vegetais, são alguns exemplos possíveis. Isabelle Stengers, importante filósofa da ciência, caracteriza esse movimento como “intrusão de Gaia”. Para a autora, Gaia é um organismo vivo que se volta contra os causadores de sua destruição sem qualquer tipo de filtro. Dialogando com Stengers, podemos pensar junto de Donna Haraway (2016) quando ela pontua que não basta lidar com esses acontecimentos apenas como sendo parte das mudanças climáticas. Para ela, produtos químicos tóxicos, mineração, esgotamento de lagos e rios, simplificações de ecossistemas e genocídios, por exemplo, devem fazer parte das discussões referentes à destruição do sistema que conhecemos hoje.


É necessário citar que na linha de frente e corroborando com as analise dos/as intelectuais supracitados, estão os povos originários que, como defende Ailton Krenak (2018), “resistem há 500 anos” ao fim do mundo[5]. Essa resistência, como é sabido, se iniciou com o contato dos indígenas com o processo de expansão marítima e territorial europeia. A chegada dos portugueses trouxe, junto de sua “elevada civilização moderna”, o genocídio, a expropriação de terras, a escravização desses povos e a submissão de suas práticas ao catolicismo e/ou à ciência. Portanto, é impossível desvincular essas discussões do protagonismo dos povos da terra. Lideranças como o próprio Krenak, David Kopenawa e Sônia Guajajara, por exemplo, são expressões desse movimento pelas vidas no Brasil.


Diante o que foi exposto acima, acreditamos que a tragédia ocorrida em Poço Fundo-MG, assim como, em outras cidades do sul mineiro, esteja diretamente relacionada com as mudanças dos ciclos da natureza proporcionada pela ação da espécie humana na Terra. A partir desse momento, buscaremos pontuar alguns acontecimentos que consideramos importantes para pensar essa mudança da relação do ser humano com a natureza, assim como sua intensificação. Com isso, nosso objetivo principal é compreender essa relação como um processo longo e gradual, com inúmeras redes de conexão. Nosso intuito não é esgota-las.


Diante do que foi exposto, o que podemos observar é que, na contramão das discussões expostas, a temática ecológica não recebe a devida atenção pelos espaços governamentais, por exemplo. Se discussões referentes a esses aspectos foram realizadas, na maior parte das vezes foi feita de maneira coadjuvante e/ou paliativa. Como é sabido, não podemos tratar uma doença tentando medicar apenas seus sintomas. Para a socióloga Sabrina Fernandes (2019), do canal “Tese Onze” no YouTube, por exemplo, mesmo a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que propuseram um modelo alternativo ao capitalista do século XX, não questionaram o aspecto produtivista da sociedade a ponto de tentar romper com essa lógica do progresso. Para ela, precisamos voltar a considerar a relação humana com a natureza de forma “metabólica”, ou seja, em conjunto e harmonia[6].


Dito isso, a partir dos estudos do sociólogo Norbert Elias (1990), podemos entender que, com referência aos intelectuais iluministas do século XVIII e do movimento revolucionário francês, foi desenvolvido um ideal civilizatório. Para o autor, essas ideias começaram a ser disseminadas principalmente com os franceses e ingleses. Esse ideário se pautava no conceito “razão”, muito característico daquele momento que foi vivido, sobretudo, pelos franceses. Essas ideias estavam embasadas pela maturação e ascensão de um iluminismo burguês e segregador que tinha como objetivo livrar o mundo por eles conhecido da barbárie. Ou seja, para eles, essa forma racional de conceber a vida deveria ser a responsável pela “iluminação” de todos os povos. É possível vincular essa discussão com os apontamentos do filósofo Luiz Fortes (1981), quando ele diz que, a partir os iluministas, a História começava a ser pensada como uma ciência e que uma ideologia reguladora começava a nortear a vida daquelas pessoas. Era a ideia do progresso. Ou seja, por meio do progresso e do aprimoramento científico seria possível moldar e controlar, cada vez mais, a natureza em razão do bem estar humano. No entanto, esse movimento só pode ser compreendido se vinculado a ascensão política da burguesia.


Nesse sentido, lembrar Edward Palmer Thompson (2005) pode ser profícuo para compreendermos como houve uma mudança que, embora lenta, fora substancial na relação da espécie humana com a natureza. Para ele, essa mudança foi possível graças ao desenvolvimento tecnológico e a gradual instalação industrial na Inglaterra. Com isso, uma disciplina do tempo passou a ser exigida “de cima para baixo”, o que passou a alterar o modo de interação das pessoas com o meio no qual elas estavam inseridas. Se antes, o ritmo das colheitas e do trabalho era dado pelo meio-ambiente, agora o ritmo das fábricas passava a mudar essa relação. No entanto, o autor nos diz que seria um erro compreender esse processo como um mero reflexo econômico, para ele é um momento em que modos de trabalho estão se transfigurando em outros, onde o tempo do relógio e o das fábricas substituiria o tempo natural. Nesse sentido, uma carga importante de subjetividade cultural acompanha os/as trabalhadores/as durante esse processo, seja para acatar ou repudiar as transformações a que estavam sendo submetidos. Essa transformação é notável, pois nos ajuda a imaginar como manutenção do tempo pelos donos das fábricas e/ou indústrias pode ter sido fundamental para o controle e intensificação da exploração natural pela espécie humana.


No entanto, como já foi indicado acima, essa “modernidade” foi exportada desses países com o intuído de “desenvolver”, “civilizar” e conduzir populações ditas “selvagens” rumo a um tipo de “progresso ideal”. Porém, como aponta o filósofo Zygmunt Bauman, essa ideia pode estar equivocada, pois se os ideários civilizatórios juntamente com o progresso linear fossem uma “lei”, episódios como o nazismo, automaticamente, as colocariam em descrédito. O holocausto é um exemplo de um acontecimento desenvolvido a partir dos princípios dessa modernidade que expressa a miséria humana e, para ele, "foi o mundo racional da civilização moderna que tornou viável o holocausto" (BAUMAN, 1998, p. 32). Ou seja, o holocausto só aconteceu pela capacidade do desenvolvimento civilizacional.


Portanto, de acordo com Bauman, há uma contradição entre a ideia moderna de progresso e a miséria proporcionada pelo holocausto. Essa incoerência já seria suficiente para indicar que o desenvolvimento da história humana não é linear. Mesmo que importantes intelectuais evidenciem essas características negativas sobre o modo moderno de produzir e de conceber a vida humana, a natureza e as ciências, por exemplo, insistem em silenciar, não acatar ao aviso e a não estuda-las com a prudência necessária. De toda forma, ainda se faz necessário pontuar que, para o historiador Jones Manoel (2020) do canal no YouTube de mesmo nome, o ideário nazista dos campos de concentração foi, nada mais nada menos, do que a aplicação da ideologia que os europeus aplicavam nas colônias em território europeu. Ou seja, a ideia de superioridade racial, escravização e direito de apropriação territorial já era praticada em territórios africanos e indígenas há muito tempo e essa questão raramente é mencionada[7].


Dito isso, retomando a temática, no inicio do século XXI ainda nos deparamos com uma lógica de produção que se caracteriza principalmente pelo extrativismo. Acreditamos que esse modo de exploração foi intensificado com o processo da modernidade com o domínio da espécie humana sobre a natureza, principalmente por meio da ciência e da tecnologia. O termo extrativismo aqui é entendido como no livro “Descolonizar o Imaginário”, “como sinônimo de extração desenfreada de recursos naturais, sem preocupação com a sustentabilidade” (DILGER; FILHO, 2015, p.20). Apoiando-nos em Thompson, acreditamos que o rompimento com o sentimento de pertencimento do/a ser humano com a natureza pode ter sido um dos grandes responsáveis pela desvinculação das relações “metabólicas”, como diz Sabrina Fernandes, entre as diversas formas de vida no planeta.


Desse modo, acreditamos que as enchentes na cidade do sul de Minas Gerais seja um dos reflexos dessa relação extrativista com a natureza, que foi acelerada de forma substancial desde pelo menos o século XVIII e que acabou por alterar seus ciclos naturais. De acordo com o físico Alexandre Costa (2020), do blog “O que você faria se soubesse o que eu sei?”, no limite, a diversidade de vidas que concebemos hoje em dia é incompatível com um sistema econômico expansionista como o capitalista, “cujo coração estão uma roda insana e crescente de extração-produção-consumo-descarte e a lógica míope da geração, concentração e acumulação de riqueza a curto prazo”[8].


Retornando ao ponto inicial dessa reflexão, voltaremos ao trágico acontecimento sul mineiro. Como já sabemos, a chuva em medidas desproporcionais causaram um grande estrago. No entanto, ao contrário do que o senso comum nos leva a imaginar, a resposta local e regional foram quase instantâneas e caminharam juntas: solidariedade! Da mesma forma que os acontecimentos analisados pelo Comitê Invisível, a reação poçofundense contrariou a resposta comum a desastres naturais, ainda que em menor proporção em relação àquelas analisadas por eles.


O que podemos observar é que, na cidade houve uma imensa articulação entre os mais variados setores sociais em prol da recuperação dos atingidos. Pessoas consideradas de “referência” usaram dos meios que possuíam para auxiliar, dentro da enchente, na busca e resgate por feridos, assim como ajudar na saída de casa, por exemplo. Estudantes de nível superior que estavam em período letivo, voltaram para a cidade a fim de auxiliar da maneira que pudessem, assim como profissionais em exercício. Um grupo de psicólogas passou a atender os/as atingidos/as. Outro grupo ficou responsável pelo resgate a animais que, eventualmente, tivessem sido levados pela correnteza ou, de alguma forma, atingidos pela água. No mesmo dia do desastre o espaço de uma escola foi disponibilizado para o recolhimento de itens de utilidade geral, como alimentos, produtos de limpeza, roupas, colchões, móveis, tudo que pudesse servir para aqueles/as que haviam perdido tudo. Nos dias seguintes, quarta e quinta-feira, consecutivamente, ocorreu um boom de doações, tanto dos poçofundenses quanto de grupos regionais e de outros relativamente longes. Isso possibilitou a articulação de uma grande quantidade pessoas de todas as idades para organização e distribuição de cestas básicas, kits de limpeza e marmitas para as refeições aos atingidos/as. Houve, inclusive, um movimento virtual para organização de uma “Vakinha” que conseguiu um valor superior a R$ 6.000,00[9]. Há de se destacar também que o Clube esportivo da cidade, em meio a falta de água, se disponibilizou a receber os/as atingidos/as para que pudessem utilizar os banheiros do clube para necessidades pessoais, por exemplo. É notável como o pensamento em torno dos benefícios próprios a serem tirados da situação foram ignorados.


Ainda é importante salientar que a tragédia pode ser considerada como um sinal, uma pequena expressão das consequências da intrusão de Gaia, como pontua Isabelle Stengers (2015). Não atoa, uma série de estudos vem sendo desenvolvidos com o intuito de provar e legitimar Gaia, Terra, Natureza ou Pachamama como “sujeito de direitos”. Felício Júnior e Lucivaldo Barros no atestam em “Descolonizar o imaginário”, que não é possível continuar submetendo os recursos da Natureza à exploração de forma ilimitada. Não atoa, esses intelectuais estão pensando na imposição de limitações éticas e ecológicas à ação humana. Segundo eles, “a natureza tem o direito que se respeite integralmente sua existência e a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos” (JUNIOR; BARROS, 2015, p. 432).


Posto isso, acreditamos que um dos maiores insights que podemos estabelecer é entre o acontecido e a impossibilidade de continuar nesse sistema extrativista que é responsável por causar tragédias como as enchentes. Assim, é importante compreender como, por meio do acontecimento, é possível e necessário construir modos para refletir sobre o antropoceno e meios para o rompimento com o modo de produção capitalista. É muito significativo pontuar que as enchentes são uma pequena expressão do colapso ambiental, mas mesmo assim, as formas de conexão e atuação das pessoas envolvidas em ajudar o outro/a atingido/a, por si só, já seriam suficientes para colocar o individualismo da competição promovida pelo capital em “xeque”.


Porém, esse acontecimento pode nos fazer pensar além. As articulações estabelecidas podem possibilitar que consigamos nos compreender enquanto partes integrantes de um sistema, como engrenagens que, inconscientemente ou não contribuímos para o desenvolvimento do modo de produção capitalista em seus mais variados aspectos. Ou seja, da mesma forma que foi possível essa união para reagir às enchentes, há uma lógica semelhante que trabalha no nosso inconsciente para que exerçamos cada qual nossa função dentro da lógica de produção extrativista.


Se nos esforçamos para compreender essa lógica e nossas funções enquanto “engrenagens”, podemos começar a pensar em táticas a fim de trava-las. Como pontua Alexandre Costa, a partir da chave conceitual de Bruno Latour, “trair o mundo ‘humano’ e aderir ao lado ‘terrano’, é um sujeito que se disporia não apenas a expropriar de seus patrões os poços de petróleo e as minas de carvão e ferro, mas a selá-los e fechá-las”. Pensar-nos enquanto responsáveis pela reprodução desse sistema pode ser o começo de nossa ruptura com ele. Ainda de acordo com o autor, “dialogar com as Ciências da Terra, entender a profundidade do colapso ecológico, debater alternativas ao sistema econômico vigente e principalmente para recompor o Sistema Terra, recuperando-o da ruptura metabólica, são tarefas urgentes”.[10] Ainda é necessário pontuar que não é nosso objetivo limitar a resistência ao capitalismo a um individualismo neoliberal, muito pelo contrário. Só conseguiremos fechar e selar “os poços de petróleo e minas de carvão” caso estivermos articulados de forma compacta. Acreditamos, entretanto, que a principal maneira de buscar por esse rompimento é repensar uma mudança que realmente seja estrutural, como nos aponta Miriam Lang, “não somente utilizar, mas também transformar profundamente os próprios aparatos estatais e as relações entre Estado e sociedade” (LANG, 2015, p. 41).


Enfim, não caberia muita coisa além de possíveis indicações nesse texto. Porém, acreditamos, assim como o Comitê Invisível que, não adiantaria adotar uma posição de lamentação e impotência frente às mazelas que colhemos nesse início de século. Para eles, “o estado de exceção no qual vivemos não dever ser denunciado, deve ser virado contra o próprio poder” (CI, 2015, p. 30), ou seja, a esperança criada por meio das enchentes deve servir-nos contra o poder! Não obstante, apenas isso não bastará. O próprio Comitê nos adverte:


Nós, revolucionários, com o nosso humanismo atávico, faríamos bem em atentar nas ininterruptas sublevações dos po­vos indígenas da América Central e da América do Sul, nestes últimos vinte anos. A sua palavra de ordem poderia ser: “colo­car a terra no centro.” É uma declaração de guerra ao Homem. Declarar-lhe guerra, talvez seja esta a melhor forma de o fazer voltar à terra, se ele não se fizer de surdo, como sempre. (CI, 2014, p. 26).

Dito isso, a título de conclusão, acreditamos que uma das mais profícuas maneiras de “voltar a terra” seja passando pela sabedoria ancestral dos povos da terra que, como já assinalado, resistem há 500 anos! A essa altura, esperamos que o/a leitor/a esteja ciente que, para começar a pensar no que foi indicado é necessário problematizar nossas formas de vida, principalmente após a modernidade. Um eixo fundamental nesse sentido é problematizar a ciência que temos hoje. Devemos buscar reconecta-la aos saberes que há muito tempo vem sendo marginalizados e excluídos por ela. Nessa linha de pensamento, portanto, (re) fazer ciência deve se tornar um ato político.


Para o antropólogo Renato Sztutman (2018), que se apoia em Isabelle Stengers, devemos recuperar um “comum” em consonância com essas práticas. Estabelecer uma relação dialógica com esses saberes pode ser profícuo para começarmos a pensar formas de resistência em busca de “um comum”. Ou seja, o alinhamento à Gaia para que possamos frear sua destruição. Dessa forma, acreditamos que ciência e política não devem mais se separar. “É preciso politiza-las, conecta-las a novas práticas, e a política um novo lugar, devendo estender-se ao ambiente, aos não humanos, à terra”. “Construir pontes e não simplesmente recuperar algo do passado, é deixar se potencializar por novas alianças” (SZTUTMAN, 2018, p. 355) Em suma, trata-se de reativar vínculos e reestabelecer nossa forma metabólica com Gaia enquanto terranos/as. Especialmente, a partir de alianças com os povos indígenas, como esperamos que tenha ficado evidente.


Tal exercício de reativação metabólica não caberia nesse texto, porém pode ser o objetivo principal de um próximo.


Referencias bibliográficas

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e holocausto. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1998.

COMITÊ INVISÍVEL. Aos nossos amigos. Guide - Artes Gráficas Lda. Edições Antipáticas. 2015.

DILGER, Gerhard; FILHO, Jorge Pereira. Apresentação à edição brasileira: “Ousar pensar fora da caixa”. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (orgs). Descolonizar o imaginário: Debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. Trad. Igor Ojeda. Fundação Rosa Luxemburgo. Elefante Editora. 2015, p. 12-23.

ELIAS, Norbert. Da sociogênese dos conceitos de “Civilização” e “Cultura”. In: _______. O processo civilizador. Rio de Janeiro, RJ: J. Zahar, 1990.

HARAWAY, Donna. ClimaCom Cultura Científica - pesquisa, jornalismo e arte Ι. Ano 3 - N. 5, 2016, p. 139-146.

JÚNIOR, Felício de Araújo Pontes; BARROS, Lucivaldo Vasconcelos. A Natureza como sujeito de direitos. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (orgs). Descolonizar o imaginário: Debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. Trad. Igor Ojeda. Fundação Rosa Luxemburgo. Elefante Editora. 2015, p. 426-443.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução de Wilma Patrícia Maas e Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro, contraponto. Ed. Puc-Rio. 2006.

LANG, Miriam. Introdução: alternativas ao desenvolvimento. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (orgs). Descolonizar o imaginário: Debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. Trad. Igor Ojeda. Fundação Rosa Luxemburgo. Elefante Editora. 2015, p. 24-45.

STENGERS, Isabelle. No tempo das castástrofes. Tradução Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

SZTUTMAN, Renato. Reativar a feitiçaria e outras receitas de resistência – pensando com Isabelle Stengers. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 69, abr. 2018, p. 338-360.

THOMPSON, Edward P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In: _______. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 267-304.

[1] Graduado em História pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). Atualmente é professor da Escola Estadual Rubens Garcia em Machado-MG. [2] Utilizamos o termo “horizontes de expectativa” do historiador Reinhart Kosseleck (2006) para utilizá-lo de forma análoga a que foi proposta por ele em referência a operação historiográfica. [3] https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/02/12/interna_gerais,1121401/mais-de-7-dos-moradores-de-poco-fundo-estao-desalojados-devido-as-chu.shtml, acesso em 21/03/2020. [4] A respeito da nomenclatura para esse período, consultar: HARAWAY, Donna. Antropoceno, Capitaloceno, Plantationoceno, Chthuluceno: fazendo parentes. 2016 e também COSTA, Alexandre Araújo, em http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/2020/03/compreender-o-antropoceno-e-combater-o.html, acesso em: 22/03/2020. [5] Acesso em: https://expresso.pt/internacional/2018-10-19-Somos-indios-resistimos-ha-500-anos.-Fico-preocupado-e-se-os-brancos-vao-resistir [6] Consultar: https://www.youtube.com/watch?v=WcpZG3HkEtQ acesso em: 19/03/2020. [7] https://www.youtube.com/watch?v=YrgiQv9tS2k acesso em: 20/03/2020. [8] http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/2020/03/compreender-o-antropoceno-e-combater-o.html, acesso em: 21/03/2020. [9] https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/02/12/interna_gerais,1121401/mais-de-7-dos-moradores-de-poco-fundo-estao-desalojados-devido-as-chu.shtml, acessao em: 22/03/2020. [10] http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/2020/03/compreender-o-antropoceno-e-combater-o.html, acessao em: 22/03/2020.



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