NINGUÉM ENTROU PARA A POLÍTICA

Politizar-se pelos meios de comunicação é aprender expressões frágeis que não possuem a mínima sustentação quando questionadas. A mais recente delas é “entrar para a política.” Política é tudo aquilo que diz respeito aos assuntos da pólis, da cidade, de modo que basta sairmos do ventre de uma mulher que entramos para a política. Logo, o correto seria noticiar que Moro e Dallagnol estão filiando-se a partidos e não “entrando para a política”, afinal, ninguém no Brasil nos últimos anos fez tanta política quanto os dois. Determinados setores da sociedade brasileira, servos do imperialismo ianque, chegaram à conclusão de que as quatro vitórias seguidas de Lula e Dilma precisavam ser interrompidas de alguma maneira para que o discurso moralista e meritocrata se sobrepusesse a uma certa consciência republicana de crescimento com distribuição de renda dirigida pelo Estado. Daí, portanto, a razão da operação farsa a jato criminalizar não a política em si, mas a política de inclusão social dos governos do PT. Entretanto, o megatrágico saldo da farsa a jato nada mais foi que as destruições judiciais tanto da capacidade operacional da Petrobras, em favor do Departamento de Justiça dos EUA, como do tecido social brasileiro, e a perda do controle sobre o monstro, hoje na presidência da república, criado por tudo isso. Com a anulação das condenações ao presidente Lula e os reconhecimentos da comunidade jurídica de que prerrogativas legais e processuais foram feridas em prol de determinado resultado (o que se sabia desde o início), a farsa a jato caiu de podre e Moro e Dallagnol resolveram “entrar para a política.” O ex-juiz ladrão e ex-sinistro da justiça, que atualmente enche as burras prestando consultoria a diversas empresas que condenou, filiar-se-á ao Podemos, enquanto Deltan Dallagnol, que recentemente comprou um apartamento em Curitiba de R$ 1,8 mi na escritura com dinheiro vivo, anunciou que se exonerará do Ministério Público Federal para…? “Entrar para a política.” É óbvio que com isso muita doação será “esquentada” para que os dividendos econômicos da operação farsa a jato sejam investidos em material de campanha e assim Moro e Dallagnol possam usufruir do foro por prerrogativa de função (o dito “foro privilegiado”) caso tenham de responder pelos malfeitos praticados. Beberão da fonte que diziam que jamais iriam beber para, caso eleitos, discutirem com as máximas instâncias de justiça do país encastelados nas prerrogativas congressistas que nunca respeitaram em suas carreiras e diziam ser entraves à corrupção que diziam combater. Bandidos de alta periculosidade a mando do Departamento de Justiça dos EUA, suas vidas nada mais foram que gritar “pega ladrão” para tirarem a atenção de si mesmos.

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